Autoconhecimento Dicas vai sozinha?

Sobre viajar sozinha: o começo.

Lembro-me de ter sido uma criança e adolescente extremamente dependente, não gostava de fazer absolutamente nada sozinha, até que me vi tendo que sair de casa aos 18 anos para cursar faculdade em outra cidade. Fui obrigada a aprender a me virar sozinha, apesar dos colegas estarem sempre solícitos a ajudar, obviamente não davam a atenção que eu tinha da minha família. Namorei a mesma pessoa durante boa parte da faculdade, e junto com nosso grupo de amigos nós passávamos as férias inteiras viajando de carro, com um kit completo para camping no porta malas e muita energia para gastar. Conheci grande parte do litoral brasileiro nessa época, e nasceu em mim um vício por viagens e praias.

Seis anos depois fiquei solteira em uma fase em que todas as minhas amigas estavam se casando, e percebi a necessidade de aprender a fazer coisas sozinhas devido a falta de pessoas disponíveis para me acompanhar no que eu curtia fazer, como ir ao cinema por exemplo. Cinema foi minha primeira experiência, algumas horinhas sozinha em um ambiente que não existe interação social, deu super certo e me senti bem confortável. Sem companhia mas viciada em praia, comecei a descer para o litoral norte de São Paulo sozinha para passar o dia acompanhada de um livro e um guarda-sol, já que a viagem era bem curta e eu não tinha coragem de ficar mais tempo do que isso. Algumas viagens bate e volta para Ubatuba depois, já bem familiarizada com a cidade, comecei a dormir por lá, sempre hospedada no mesmo hostel pois já me sentia confortável por conhecer os funcionários.

A evolução a partir daí foi bem rápida, aprendi a realmente gostar de passar mais tempo sozinha, pois nesses momentos falando comigo mesma fui me conhecendo melhor, assumindo meus medos e inseguranças e traçando planos para vencê-los.

Praia Banzai Pipeline – Hawaii, minha primeira viagem internacional sozinha!

Desde então, não existia mais essa barreira do medo me impedindo de explorar os lugares que eu queria conhecer por não ter companhia. As decisões de viajar para um próximo destino ficaram muito mais fáceis de serem tomadas. Nessas primeiras aventuras sozinhas estamos saindo da nossa zona de conforto e indo em direção a uma realidade desconhecida em que não sabemos exatamente o que esperar e nem se iremos gostar da experiência. Você só saberá o que irá sentir quando for, e se sentir desconfortável no início é absolutamente normal, mas não deixe esse desconforto inicial esmorecer sua vontade de ser livre e independente! É claro que sempre bate aquele receio pelo fato de sermos mulheres em um mundo ainda muito machista e cheio de violência. Medo e insegurança eu sinto até hoje, mas aprendi a lidar com esses sentimentos racionalmente e eles não me impedem de ir, apenas vão junto comigo e me ensinaram a ficar esperta e prestar atenção a tudo que acontece ao meu redor…

O fato de perceber que eu poderia ir para onde quisesse, definindo os lugares que eu queria conhecer e fazendo tudo no meu próprio tempo e vontade, me libertou e me transformou em outra pessoa, com outros objetivos e sonhos, muuuito maiores mas beeeem menos egoístas! Aprendi a cuidar de desconhecidos da mesma forma que cuidaram de mim quando precisei, e esse amor ao próximo floresceu tanto dentro de mim, que hoje em dia não me enxergo feliz sem realizar trabalhos voluntários.

Viajar sozinha te coloca em contato íntimo com a pessoa mais importante da sua vida: VOCÊ! As consequências de qualquer decisão serão somente suas, e essa responsabilidade por seus atos é uma lição de vida: você vai parar de procurar culpados e aprender a pensar o que VOCÊ poderia ter feito diferente.

Não confunda estar sozinha com ser solitária, aprenda a estar com você. Muitas portas irão se abrir, na sua mente e na sua vida, e por elas muitas pessoas irão entrar,  a palavra solidão não será mais algo assustador, e você vai perceber que quanto mais sozinha ficar, mais pessoas vai conhecer, pois ficamos mais abertas a fazer novas amizades, bem mais simpáticas com desconhecidos. As pessoas que a gente conhece viajando tem algo especial, sempre que entro em contato com alguns deles a conversa me remete àquela viagem, e meu estado de espírito automaticamente volta para aquela alegria e paz de quando estamos de férias.


Um chileno, uma argentina, um brasileiro e um italiano, amigos feitos na fila para alugar carro no Havaí, alugamos juntos e somos amigos “virtuais” até hoje!

Apesar da nossa sociedade  estar cada vez mais acostumada com mulheres independentes e sozinhas, sempre, SEMPRE que falo que estou indo viajar sozinha ouço de alguém o velho discurso da insegurança, dos horrores do mundo, das atrocidades que acontecem com mulheres… Esse discurso é tão constante, está presente em tantas fontes de informação que acaba gerando em muitas mulheres uma espécie de bloqueio inconsciente que as fazem acreditar que é impossível ser feliz sozinha.

Você tem seu salário, suas férias, a vontade de ver o mundo, mas não tem companhia. E então, vai desistir? Ou vai se dar uma chance de descobrir não só outros países, mas também quem é você quando não tem ninguém por perto? Viajar sozinha é uma escolha pessoal. E não, não é o fim do mundo. Muito pelo contrário, é só o início dele…

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